Na última quarta-feira, dia 28, os quatro astronautas da missão Crew-12, a próxima missão tripulada de longa duração para a Estação Espacial Internacional (ISS), iniciaram oficialmente seu período de quarentena no Johnson Space Center, nos Estados Unidos.
A tripulação da Crew-12

A comandante da missão é a astronauta americana Jessica Meir, que realizará seu segundo voo espacial. Sua primeira missão aconteceu em setembro de 2019, quando viajou à ISS a bordo da Soyuz MS-15, permanecendo em órbita por pouco mais de 200 dias. O piloto da missão será o astronauta americano Jack Hathaway, em sua primeira viagem ao espaço.
Já os Especialistas de Missão são Sophie Adenot, astronauta francesa da Agência Espacial Europeia, também em seu voo inaugural, e o cosmonauta russo Andrey Fedyaev, que esteve a bordo da ISS entre março e setembro de 2023 como parte da missão Crew-6.
Um momento atípico a bordo da ISS

A chegada da Crew-12 acontece em um contexto incomum para a Estação Espacial Internacional. A missão anterior, a Crew-11, precisou antecipar seu retorno à Terra após um dos astronautas apresentar um problema médico sério, que não pôde ser diagnosticado nem tratado a bordo da estação. O incidente ocorreu algumas semanas atrás e, desde então, apenas três pessoas permanecem na ISS. Uma delas é o astronauta americano Chris Williams, que chegou à estação em novembro do ano passado a bordo da Soyuz MS-28.
Originalmente, o retorno da Crew-11 estava previsto para fevereiro, seguindo o procedimento padrão: a tripulação só deixaria a estação após a chegada da missão seguinte, neste caso, a Crew-12. Como isso não aconteceu, o tradicional período de handover — quando astronautas trocam informações, repassam experimentos em andamento e organizam tarefas de manutenção — acabou não ocorrendo.
Conflito de agenda com a Artemis 2
Diante desse cenário, duas coletivas de imprensa sobre a Crew-12 foram realizadas nesta semana. Nelas, a NASA detalhou melhor o planejamento tanto do lançamento quanto das atividades da missão.
Um dos principais desafios é o conflito de agenda com a Artemis 2, missão tripulada de circum-navegação lunar que também tem lançamento previsto para fevereiro. Apesar de serem missões distintas — com tripulações, foguetes e plataformas de lançamento diferentes — alguns recursos críticos acabam sendo compartilhados, como os satélites de comunicação da constelação TDRSS e as equipes de resgate, que precisam estar disponíveis em caso de um abortamento durante o lançamento.
Atualmente, a data mais próxima considerada para o lançamento da Crew-12 é 11 de fevereiro, mas essa opção é vista como pouco provável. Se a Artemis 2 for lançada com sucesso no dia 8 de fevereiro, a Crew-12 só poderá decolar após o retorno seguro dos astronautas da missão lunar, o que empurraria o lançamento para algo em torno do dia 19 de fevereiro.
Por outro lado, se a Artemis 2 sofrer atrasos — seja por tentativas de lançamento abortadas ou pela necessidade de mais testes — a Crew-12 poderia decolar antes disso, possivelmente nos dias 11 ou 12 de fevereiro.
Missão pode durar até oito meses
A missão será realizada com a espaçonave Crew Dragon Freedom, que já completou quatro voos espaciais. O mais recente foi a missão Crew-9, que permaneceu em órbita entre setembro de 2024 e março de 2025.
O lançamento será feito por um Falcon 9 cujo primeiro estágio é o booster 1101, que voou pela primeira vez no início de janeiro de 2026. Após a separação dos estágios, o booster realizará uma manobra de retorno para pouso em terra, na recém-inaugurada Zona de Pouso 40, localizada ao lado do Complexo de Lançamento 40, de onde a decolagem ocorrerá.
Outra informação importante divulgada nas coletivas é a possibilidade de a Crew-12 ter uma duração maior do que o padrão. Em vez dos tradicionais seis meses, a NASA avalia manter a Crew Dragon acoplada à ISS por até oito meses. Isso só é possível graças a uma nova certificação da espaçonave, que ampliou o tempo máximo de permanência acoplada à estação de seis para oito meses.
Segundo a NASA, essa mudança é fundamental à medida que a Estação Espacial Internacional se aproxima do fim de sua vida útil, pois adiciona mais flexibilidade ao cronograma de operações. A agência também indicou que pretende estender essa certificação ainda mais no futuro.
Outras missões em andamento na ISS

Além da Crew-12, outras missões importantes envolvendo a ISS estão em andamento. A Cargo Dragon da missão CRS-33 está nos momentos finais de sua estadia na estação.
Ela chegou à ISS em agosto do ano passado e deve desacoplar no dia 26 de fevereiro, após entregar mais de duas toneladas de experimentos científicos, alimentos e outros suprimentos.
Durante a missão, a CRS-33 também utilizou um boosting kit para realizar queimas orbitais e elevar a ISS para a maior altitude de sua história: cerca de 422 quilômetros. Esse kit é composto por seis tanques de propelente e dois motores Draco adicionais, armazenados no “porta-malas” da Dragon, a região despressurizada da espaçonave.
Tradicionalmente, manobras desse tipo eram realizadas por espaçonaves Progress ou pelos propulsores dos módulos russos. Hoje, tanto as espaçonaves Cygnus quanto as Cargo Dragon já demonstraram ser capazes de cumprir essa função.
Poucos dias após a saída da CRS-33, a espaçonave japonesa HTV-X também deve se desacoplar da ISS. Ela está acoplada à estação desde outubro de 2025, em mais uma missão de reabastecimento. O início de 2026 tem sido especialmente intenso para os voos espaciais tripulados, com múltiplas missões em preparação e decisões estratégicas importantes sendo tomadas.
E o ano está só começando!