O Burj Khalifa, nos Emirados Árabes Unidos, é o arranha-céu mais alto do mundo atualmente. Seus incríveis 828 metros foram alcançados com a ajuda de 330.000 m³ de concreto, 55.000 toneladas de aço e milhares de pessoas trabalhando por quase 6 anos.

Burj Khalifa @shutterstock

O prédio é tão alto que é possível assistir o sol se por em sua base, pegar um elevador ultra-rápido até o topo e ver nossa estrela sumir no horizonte mais uma vez. E se você for muçulmano e estiver no topo do prédio, precisará praticar o jejum ritual do Ramadão por 3 minutos extras.

O segundo arranha-céu mais alto do mundo é a Shangai Tower, com 632 metros, seguida pelo Abraj Al-Bait, com 601.

Shangai Tower com 632 metros de altura
Shangai Tower @Architectural Review

Chamar prédios tão altos assim de “arranha-céus” parece uma definição bastante justa, não? Mas essa palavra é relativamente antiga e era usada para se referir a prédios bem menores do que os arranha-céus de hoje.

Mas antes de falar sobre os primeiros arranha-céus, vamos tirar um elefante da sala:

O que diabos são “prédios”?

Este é um daqueles conceitos difíceis de definir em palavras. Você provavelmente não chamaria uma construção com 2 andares de “prédio”, certo? E se forem 3? 4? Em que momento a gente começa a chamar de prédio? (Cuidado! Os filósofos viciados no navio de Teseu nos ouviram!)

A Grande Pirâmide de Gizé, com seus 156 metros de altura, permaneceu no posto de estrutura mais alta já construída por seres humanos por quase 4.000 anos, sendo ultrapassada pela Lincoln Cathedral, com 160 metros em 1311.

Pirâmides de Gizé
Grande Pirâmide de Gizé @shutterstock

Mas a Pirâmide de Gizé não é um prédio, certo?

Certo. Sabemos disso naturalmente por associação. Vemos prédios a vida toda e sabemos o que eles são – uma pirâmide não tem as mesmas características que um prédio. É uma comparação fácil de resolver – o problema surge nas beiradas da definição.

Se compararmos prédios com algo semelhante mas notavelmente diferente podemos estabelecer algumas regrinhas (arbitrárias, mas ainda assim é melhor que nada).

Para algo ser chamado de “prédio” e não de “torre”, por exemplo, a estrutura precisa que mais de 50% dos andares sejam habitáveis.

Torre Eiffel ao entardecer
Torre Eiffel @shutterstock

A Torre Eiffel, concluída em 1889, ocupou o posto de estrutura de estrutura mais alta construída por seres humanos por 41 anos, sendo ultrapassada pelo Chrysler Building em 1930. Mas a Torre Eiffel não é um prédio de acordo com essa definição.

Então qual foi o primeiro arranha-céu da história?

Construir estruturas habitáveis com mais de 2 ou 3 andares com a tecnologia do final do século XIX, que dependia de pedras para sustentar seu peso, demandaria paredes mais grossas e pesadas para aguentar uma quantidade de andares mais alta.

Para alcançar novas alturas os prédios precisariam ser feitos com um material diferente: o aço.

Trabalhador durante a construção do Empire State Building
Construção do Empire State Building

O aço é produzido por humanos há milhares de anos, mas sempre em poucas quantidades. Usá-lo para construir prédios só foi possível depois da inovação do processo de Bessemer – uma maneira de produzir aço em grande quantidade e de forma barata.

Ilustração demonstrando o Processo de Bessemer

A história do aço é bastante interessante e merece um post próprio, então não vou entrar em detalhes. Você pode ler sobre iso na Wikipédia ou no site da Encyclopedia Britannica por enquanto.

O Home Insurance Building, em Chicago, foi o primeiro prédio com estrutura de aço do mundo. Seus humildes 42 metros de altura e 10 andares o fizeram ser considerado o primeiro arranha-céu da história.

Home Insurance Building, em Chicago. Este é o primeiro arranha-céu do mundo.
Home Insurance Building, Chicago

Não foi só o aço o responsável pelos prédios cada vez mais altos

Atingir essa altura em 1885 foi um feito impressionante, mas não demorou muito tempo para o conceito de arranha-céu tomar proporções ainda maiores. No começo do século XX Nova York já contava com vários prédios que ultrapassavam a marca dos 100 metros.

O Empire State Building, concluído em 1931, com 102 andares e 443 metros de altura (contando a antena; 381 metros sem ela) manteve o título de arranha-céu mais alto do mundo até 1971, quando foi superado pelo World Trade Center.

Não haveria razão para construir prédios tão altos quanto estes sem a existência de elevadores. Depender apenas de escadas dificultaria a vida de todo mundo, não apenas de pessoas idosas e com dificuldade de locomoção. Gastar um tempão para chegar até o seu andar não é muito prático.

O primeiro mecanismo de segurança para elevadores

Durante a Revolução Industrial elevadores eram utilizados para transportar cargas verticalmente em minas e fábricas. Movidos à vapor ou força humana, essas máquinas não eram comumente usadas para carregar seres humanos por conta do risco de acidentes.

Tudo mudou em 1854, quando um engenheiro americano chamado Elisha Graves Otis apresentou o primeiro mecanismo de segurança para elevadores em uma feira no Crystal Palace em Nova York.

Ilustração da demonstração de Elisha Graves Otis na feira de Nova York em 1954.

Otis ficou de pé em uma plataforma suspensa por uma corda em frente a uma multidão enquanto outro homem simulava uma falha no sistema usando um machado. O público se encolheu aterrorizado ao presenciar a situação, mas a plataforma, segura por um sistema de travamento que atua nos trilhos, caiu apenas alguns centímetros.

Essa inovação incentivou e permitiu a adoção dos elevadores em prédios residenciais e comerciais. Com esse problema fora do caminho, agora projetistas poderiam pensar com mais liberdade sobre prédios mais altos.

Como quase toda tecnologia, a existência de arranha-céus (seja lá o que eles sejam) só foi possível graças à convergência de diversos fatores. Se 42 metros de altura eram suficientes para se impressionar com uma estrutura criada pelos seres humanos, imagino o que as pessoas de 1885 diriam ao ver que estamos nos aproximando dos 1.000 metros de altura.

Gostou do assunto? Aproveita e vê meu vídeo sobre o prédio mais alto da América Latina!

Autor

Aspirante a comunicador científico fascinado por foguetes e exploração espacial. Odeia quando mergulham a bolacha no leite.

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