O bombardeamento constante de informações ao longo do dia e a facilidade no acesso a portais de notícia parecem ter criado um sentimento comum nas pessoas de que estamos em um mundo que só piora a cada dia.

Seres humanos tem uma tendência natural a prestar mais atenção em aspectos negativos do que aspectos positivos e isso pode nos colocar em uma espiral pessimista que quase sempre passará longe da verdade.

Claro que estamos corretos em querer melhorar diversos aspectos da vida humana que ainda carecem de atenção e ficar indignados com atrocidades cometidas por outras pessoas. Humanos são capazes de coisas horríveis e podem ser um pouco assustadores às vezes. Mas é legal colocar as coisas em perspectiva, olhando para trás e apreciando quão longe chegamos.

Por esse motivo, eis 6 coisas que mostram como o mundo tem melhorado:

A quantidade de pessoas vivendo sob pobreza absoluta nunca foi tão pequena

Em 1910, 74% da população mundial vivia sob pobreza absoluta. Apenas 105 anos depois e com uma população 4 vezes maior, esse número foi reduzido para 9,98%.

E talvez você diga: “Claro, em longos 105 anos seria de se esperar em uma melhora.”.

Bom, mais ou menos. Em 1910, 1.3 bilhões de pessoas viviam sob pobreza absoluta. Em 1999, 89 anos depois, 1.73 bilhões de pessoas viviam sob pobreza absoluta. Durante esse tempo o número de pessoas nessa situação não só não diminuiu, como aumentou junto com o aumento populacional nesses 89 anos.

Apenas 15 anos depois esse número foi cortado pela metade. Fizemos mais em 15 anos para reduzir a pobreza do que nos quase 90 anos anteriores.

São números realmente incríveis. Mas não devemos levá-los só como uma vitória, mas também como um encorajamento. Há muito a melhorar – teremos trabalho a fazer até a última pessoa vivendo em extrema pobreza deixar essa situação.

A taxa de mortalidade infantil nunca foi tão pequena

Em 1800, mais de 43% das crianças morriam antes de completarem 5 anos de idade. Essa taxa se manteve acima dos 40% até pouco antes do final do século XIX, caindo para 32% em 1920.

Em 1920, 1 a cada 3 crianças morria antes de completar 5 anos.

Quase 100 anos depois e esse número caiu para 3.91%. Em países ricos esse número chega a 0.54%. Mas não pense que só os países mais ricos melhoraram significativamente nesse quesito. O mundo inteiro está melhor:

Um mundo mais próspero permite que as pessoas gastem mais com sua saúde, que mais crianças sejam imunizadas, que doenças sejam evitadas e que essa taxa diminua ainda mais. Como deve ser.

A expectativa de vida nunca foi tão alta

Você provavelmente já ouviu falar disso. Um bebê nascido no Brasil em 1960 podia esperar viver, em média, até os 54.2 anos. Em 2015 são 75.3 anos.

Sim, a mortalidade infantil tem uma grande influência nesse número, mas ela está longe de ser o único fator levado em conta. Um brasileiro com 10 anos de idade em 1960 poderia esperar viver, em média, 56.2 anos. Outro, com 10 anos de idade em 2015, poderia esperar viver até os 67.

A parcela de crianças com peso abaixo do adequado para sua idade diminuiu

Em 1990 24,9% das crianças com menos de 5 anos estavam abaixo do peso ideal. Hoje esse número é de 13,9%.

Uma nutrição deficiente causa problemas de crescimento físico e um menor desempenho intelectual das crianças. O problema pode também diminuir a imunidade, deixando o indivíduo mais suscetível a doenças.

O arsenal nuclear mundial já não é a mesma coisa

Controlar a proliferação de armas nucleares foi uma das principais preocupações mundiais nas últimas décadas. Durante a Guerra Fria o mundo chegou a ter quase 65 mil ogivas em estoque.

O número de testes nucleares também caiu. Os últimos registrados foram da Coréia do Norte, em 2017 e 2006.

A quantidade de emissões de substâncias que atacam a camada de ozônio caiu

A emissão de clorofluorcarbonetos e outras substâncias causou grandes problemas para a camada que protege nosso planeta. As medidas adotadas após a Convenção de Vienna em 1985 e o Protocolo de Montreal em 1987 surtiram grande efeito. Em 2010 conseguimos voltar para a quantidade de emissões do início da década de 60.

Ainda temos um longo caminho pela frente

Ainda temos grandes problemas a serem solucionados. O aquecimento global, por exemplo, ainda precisa de muita atenção. Esse é talvez um dos maiores desafios que a humanidade já enfrentou. As consequências do aumento de temperatura global podem ser catastróficas, gerando problemas que hoje consideramos um passado distante.

Um pouco de pessimismo é totalmente saudável, afinal, é isso que nos move em direção à mudança. Mas ele também pode ser um fator congelante. “O mundo está tão ruim, por que fazer alguma coisa? É melhor acabar tudo mesmo”.

Por esse motivo acho importante colocar as coisas em perspectiva, olhar para trás e ver de verdade onde chegamos. Os seres humanos são capazes de coisas incríveis, e nós devemos nos orgulhar disso.

Dados: Our World In Data

Autor

Aspirante a comunicador científico fascinado por foguetes e exploração espacial. Odeia quando mergulham a bolacha no leite.

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