Depois de lançar o Falcon Heavy e a nova geração de Falcon 9’s no ano passado, a SpaceX se prepara para concretizar seu próximo marco: o primeiro voo orbital da cápsula Crew Dragon.

Os Estados Unidos não lançam ninguém para o espaço desde 2011, no último voo do ônibus Espacial Atlantis. Os astronautas americanos continuaram indo para a Estação Espacial Internacional com a ajuda dos russos, com as naves Soyuz.

O lançamento vai acontecer no dia 2 de março às 4:48 da madrugada (horário de Brasília). Se tudo der certo a cápsula vai se acoplar à Estação Espacial Internacional mais ou menos 24 horas depois do lançamento.

Depois de vários testes ela vai se soltar da Estação e reentrar na atmosfera no dia 8 de Março, pousando no Atlântico, próximo à costa da Flórida.

A plataforma histórica de lançamento LC-39A

Crew Dragon em teste de encaixe do braço de acesso da plataforma LC-39A

A LC-39A continua fazendo parte dos avanços tecnológicos na indústria aeroespacial, mesmo depois de 50 anos de sua inauguração . A Crew Dragon vai ser lançada da mesma plataforma em que os astronautas das missões Apollo começaram suas jornadas.

Ela recebeu uma grande modificação recentemente. Além de ter perdido o sistema de rotação (RSS), que colocava as cargas dentro da baia de carga dos ônibus espaciais enquanto eles estavam na plataforma, um novo braço de acesso foi instalado. Dessa vez com um estilo muito mais futurista.

Braço de acesso da tripulação no pad LC-39A

Não é a primeira vez que a SpaceX coloca o visual como prioridade. A NASA nunca se preocupou muito com esse tipo de coisa – aquela visão objetiva da engenharia sempre prevaleceu. Ser funcional era mais importante do que parecer futurista.

Astronauta Scott Kelly no interior do simulador da Soyuz.

Os planos da SpaceX sempre envolveram incentivar a exploração espacial e despertar interesse sobre o espaço no máximo de pessoas possível. Mas fazer isso com uma cápsula que se parece com uma sala de contabilidade da década de 70 não é muito efetivo.

O interior da Crew Dragon é bem mais interessante visualmente, não acha?

Dar mais atenção a esses tipos de detalhes pode parecer algo bobo em um meio tão sério como o da engenharia aeroespacial. Mas realmente não é preciso fazer muito para deixar as coisas minimamente interessantes. Os custos de desenvolvimento e lançamento da SpaceX provam que também não é preciso gastar rios de dinheiro para atingir o objetivo de deixar as pessoas mais interessadas no espaço.

Próximos testes da Crew Dragon

Se tudo der certo neste lançamento, a próxima certificação que a cápsula precisa para garantir a aprovação da NASA para enviar astronautas para o espaço é o teste de abortamento de missão.

Teste de escape da plataforma de lançamento

A cápsula será lançada no booster que lançou o lander israelense à lua. Quando o foguete estiver no pico de pressão aerodinâmica no voo, vulgo Max-Q, a cápsula terá que acionar seus motores de emergência e se separar do primeiro estágio de forma segura. Algo mais ou menos assim:

Mercury-Atlas 3 (MA-3) – Flight Abort

O primeiro estágio provavelmente será completamente destruído. Sem a aerodinâmica da cápsula o foguete enfrentará pressões altíssimas em partes que não foram projetadas para suportar esse tipo de força. É quase como levantar o torso enquanto se está em cima de uma bicicleta rápida – só que em uma escala de força centenas de vezes maior.

Se o teste de escape da cápsula também for bem-sucedido, a Dragon 2 estará pronta para enviar astronautas para a Estação Espacial Internacional. Algo que deve acontecer em Julho deste ano.

A live de transmissão do lançamento do teste promete ser incrível e eu vou acompanhar de pertinho cada detalhe! Não é todo dia que temos a oportunidade de testemunhar a história da exploração espacial se desenhar, não é mesmo?

Autor

Aspirante a comunicador científico fascinado por foguetes e exploração espacial. Odeia quando mergulham a bolacha no leite.

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