A SpaceX completou com sucesso nesse dia 25 de junho uma de suas missões mais difíceis até agora. O Falcon Heavy, o foguete em operação mais poderoso no mundo atualmente, decolou às 03:30 UTC com 24 satélites diferentes pesando 3.700 kg no total.

Por que essa missão foi tão importante?

O Falcon Heavy é um veículo de lançamento relativamente novo. Apesar de ter importado boa parte de seus componentes do Falcon 9, um foguete bastante maduro, ainda é preciso mostrar que ele é confiável o suficiente para levar cargas importantes para o espaço.

A missão STP-2 (Space Test Program-2) levou uma grande mistura de satélites experimentais do Departamento de Defesa dos EUA, NASA e National Oceanic and Atmospheric Administration, além de uma carga bastante especial da Planetary Society – a LightSail, um satélite com uma vela solar com a espessura menor que um fio de cabelo que vai testar uma tecnologia de propulsão por pressão de fótons.

O foguete lançado usou os mesmos boosters laterais recuperados na missão Arabsat-6A – o primeiro lançamento comercial do Falcon Heavy (que aconteceu só 2 meses e meio atrás, inclusive). O booster central era novinho em folha.

Mas por que usar o Falcon Heavy para lançar uma carga tão leve?

Levar míseros 3.700 kg ao espaço com um Falcon Heavy parece um desperdício danado à primeira vista. A SpaceX colocou 13.620 kg em órbita em maio desse ano usando o mesmo booster do Falcon 9 pela terceira vez e ainda pousou ele em segurança.

Apesar de serem relativamente leves, os 24 satélites precisavam ser colocados em 3 órbitas bastante distintas, exigindo que o estágio superior do foguete tenha combustível sobrando para ser acionado 4 vezes e fazer as manobras necessárias.

E mesmo assim o booster central ainda precisa fazer aquela forcinha extra, sacrificando sua capacidade de fazer o chamado “boostback” para perder um pouco de sua velocidade horizontal – fazendo com que ele tenha uma reentrada na atmosfera bem mais quente que o normal.

Por esse motivo a barca precisou ficar a uma distância muito maior que a usual, a mais ou menos 1.240 km de distância da costa.

O booster chegou tostadinho e não conseguiu pousar, infelizmente.

Vai ser interessante saber o que exatamente aconteceu depois das análises dos dados de telemetria e o que sobrou do foguete. Mas nada de inesperado aqui, como o próprio Musk disse, a probabilidade do booster central sobreviver não era muito grande.

Mas a SpaceX finalmente conseguiu pegar uma das coifas!

Não é a primeira vez que recuperam a coifa de um foguete lançado, mas é a primeira vez que conseguem pegá-la no ar e não boiando na água. Esse é um ponto bastante importante para a diminuição do custo de lançamente.

Então deu tudo certo?

Sim! A missão principal foi cumprida – os 24 satélites foram colocados em suas respectivas órbitas. E de quebra ainda recuperaram os boosters laterais e as coifas.

É uma pena que não tenham conseguido recuperar o booster central, mas falhar também é progredir!

Ok, eu sei que as missões da SpaceX são frequentemente noticiadas como grandes achievements da engenharia. Como diz aquele ditado – se todo mundo é especial, ninguém mais é.

Mas lançar foguetes é difícil – MUITO DIFÍCIL. Projetar, construir, testar, lançar e modificar esses monstrengos de metal é um processo árduo e que normalmente produz resultados incrementais minúsculos. Mas a SpaceX consegue atingir um nível de progresso comparável aos tempos da corrida espacial, e é impossível para um entusiasta da exploração espacial não comemorar essas vitórias.

Para mim, poder assistir a todo esse progresso é um grande privilégio.

Autor

Aspirante a comunicador científico fascinado por foguetes e exploração espacial. Odeia quando mergulham a bolacha no leite.

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